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Humaitá, 08/09/2010 - 8h 15mim     

Dados Históricos
 


1. Primeiros habitantes
2. O Crato
3. A Mangaba
4. O Fundador
5. O Ciclo da Borracha
6. Década de 70
7. Dias atuais

1 - Primeiros habitantes:

Os primeiros habitantes do lugar foram os índios que viviam em economia de subsistência. Suas principais atividades eram a caça, a pesca, o extrativismo e a agricultura familiar. As principais etnias viviam às margens do Rio Maici (Torá) Rio Marmelo (Tenharim) e Rio Madeira (Parintintin, Pama, Arara e Mura).

Com a chegada do colonizador os índios foram perseguidos, alguns massacrados e outros escravizados. Poucos sobreviveram.

Em 1723, militares e missionários religiosos, já exploravam a região, utilizando a mão de obra indígena na coleta das drogas do sertão (cacau, andiroba, copaíba, escama de pirarucu, banha de tartaruga, castanha, etc.).

Em 1785, os índios Torá reagiram à chegada dos colonizadores e foram exterminados covardemente por militares enviados de Belém, pelo governo.

Atualmente habitam o município os Parintintin, os Tenharim e os Mura, que em suas aldeias conseguiram muitas conquistas, inclusive a da terra que foi demarcada pela FUNAI, e transformada em Reservas Indígenas e a do resgate de muitos dos seus costumes.

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2 - O Crato:

Era um pequeno entreposto de apoio às pessoas que viajavam pelo Rio Madeira, desde os primeiros tempos de colonização. O lugar, logo abaixo da cidade, não se desenvolveu porque era considerado doentio e acabou sendo transformado em presídio para ladrões, criminosos e seringueiros fugitivos. Conta a lenda que havia um buraco com ferros pontiagudos no fundo onde os condenados eram jogados e por isso o lugar ficou “mal assombrado”.

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3 - A Mangaba:

A mangaba é um fruto originário do Nordeste que foi adaptado facilmente nos campos naturais do município devido às condições naturais propícias. Sua produção chegou a ser grande no passado, motivo pelo qual Humaitá passou a ser chamada Terra da Mangaba.

Atualmente as poucas mangabeiras que existem produzem muito pouco.

Conta a lenda que um índio muito corajoso chamado Diaí , lutou inúmeras vezes para defender a natureza e protegeu principalmente a seringueira que os homens brancos estavam destruindo.

Numa dessas lutas foi ferido e morreu, sendo abençoado pela Lua.

Do seu coração brotou a mangabeira que se tornou uma árvore sagrada para os índios, dando frutos doces e polpudos, cujo leite se parece com o látex.

Um dia uma jovem índia chamada Ytaciara estava desesperada para salvar Koara , seu grande amor, que estava para morrer.

Uma velha índia ensinou Ytaciara a preparar um chá da folha da mangabeira para o seu amado.

Ao tomar o chá, Koara sobreviveu e todos conheceram o poder de cura da planta.

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4 - O Fundador:

O comerciante José Francisco Monteiro foi um dos primeiros colonizadores que em busca de riquezas, se interessou em ficar definitivamente na região. Ele chegou em 15 de maio de 1869 e instalou-se num lugar chamado Pasto Grande onde era a Sede da Freguesia de São Francisco, no Rio Preto, próximo à atual cidade, mas devido a ataques constantes dos índios, em 1888, a sede da Freguesia foi transferida, pelo comendador (lei nº 790 de 13 de novembro de 1888), para o lugar onde hoje está a cidade de Humaitá, com o nome Freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Beem de Humaitá.

Francisco Monteiro é considerado o fundador de Humaitá.

Em 1890 foi criado o Município de Humaitá (decreto º 31 de 04 de fevereiro de 1890), com terras desmembradas do município de Manicoré.

De acordo com o Decreto nº 95-A de 10 de abril de 1891, assinado pelo Governador Eduardo Ribeiro, foi criada a Comarca de Humaitá.

Em outubro de 1894, pela Lei nº 90, Humaitá é elevada à categoria de cidade.

O nome Humaitá significa pedra preta.

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5 - O Ciclo da Borracha:

A borracha extraída da seringueira, planta nativa da Amazônia foi descoberta e logo valorizada no mercado internacional. Dela fabricavam-se capas, bolas, sapatos e principalmente o pneu, com o avanço da indústria automobilística.

Por volta de 1900, Humaitá, grande produtor de borracha prosperava nas mãos de ricos seringalistas (donos dos seringais) que ostentavam suas riquezas nos seringais e na cidade.

A Escola Oswaldo Cruz, o prédio da Prefeitura, o Castelo da Rua Gusmão, a antiga Biblioteca, são dessa época.

Havia inclusive um conceituado Jornal “Alto Madeira” que circulava periodicamente.

Navios a vapor faziam o transporte de mercadorias e de pessoas.

O luxo estava presente nos costumes das famílias mais tradicionais.

Os mais ricos possuíam palacetes em Manaus ou em Belém onde participavam de festas, teatro e cabarés com seus trajes de seda, renda ou linho. Alguns chegavam a acender seus charutos com notas de mil réis ou tomar banho com champanhe francês.

Os primeiros grandes seringais foram: Três Casas, Paraíso e Bom Futuro.

 

O seringueiro :

Homem simples vindo geralmente do Nordeste para trabalhar nos seringais na esperança de fazer riqueza e voltar para sua terra natal.

Ao receber uma “estrada de seringa” ele já iniciava devendo ao patrão sua passagem de vinda, seus utensílios de trabalho ( machadinha, tigela, poronga, ...) e sua alimentação (farinha, carne seca, açúcar e café). Recebia também garrafas de cachaça para poder suportar o trabalho e a solidão no interior da floresta. No acerto de contas ao final de uma jornada, nunca tinha saldo a receber e obrigatoriamente tinha que continuar, enriquecendo cada vez mais o seringalista.

Foi explorado em trabalho quase escravo, durante décadas e acabou ficando nas terras ribeirinhas.

Por volta de 1912, com o declínio da economia baseada na extração da borracha, Humaitá passa a viver um período de estagnação econômica, assim como todo o estado do Amazonas.

 

Os soldados da Borracha :

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) houve a necessidade de se voltar a produzir borracha no Brasil, para os países aliados.

O governo brasileiro convocou pessoas para trabalhar nos seringais da Amazônia.

Em Humaitá os seringais voltaram a produzir, mas a guerra acabou e os seringais se fecharam novamente.

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6 - Década de 70:

Na década de 70, durante a ditadura militar, foram abertas as rodovias Transamazônica e BR 319 , que se cruzam em Humaitá, fato que veio proporcionar novos rumos para o desenvolvimento do município.

Com a abertura das estradas começaram a chegar migrantes de outras regiões, principalmente do sul e do nordeste do país, em busca de trabalho, de terras, de garimpos e de melhores condições de vida.

Órgãos como o INCRA e o 54º BIS deram início ao seu trabalho de legalização das terras e defesa das fronteiras brasileiras respectivamente.

Foi quando o município começou novamente a prosperar.

A partir daí, bairros novos surgiram, a população aumentou, o comércio cresceu, ruas foram asfaltadas, meios de transporte e comunicação tiveram suas melhorias.

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7 - Dias atuais:

Com o crescimento demográfico provocado pela migração a partir da década de 70 novos costumes foram surgindo pela aculturação e o humaitaense passou a conviver com o uso do chimarrão, com a prática de rodeios e outros costumes vindos de fora, além dos problemas que passaram a ser vividos como o desemprego, a marginalidade, a prostituição infantil, etc. e principalmente o conflito pela terra.

As rodovias que foram abertas com o objetivo de ligar a Amazônia com as demais regiões do país, hoje estão abandonadas, cheias de buracos e em alguns trechos intrafegáveis. Sua recuperação depende não só da ação governamental, mas também de organizações e de alguns órgãos do governo que defendem a preservação da natureza tentando impedir impactos ambientais catastróficos e com isso tentam impedir o início das obras, sobretudo na Br 319 – Humaitá - Manaus.

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Textos e Imagens - Profª. Marlene Gravena
Webmaster - Gabriel Gravena Neves
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